quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Hamilton: de bestial a besta, em duas provas

O bestial virou besta
Está no dicionário, bestial: regionalismo em Portugal de uso informal que significa muito bom; sensacional, magnífico, lindo.
Já besta, entre outros significados: que ou quem é ignorante ou pouco inteligente; burro, tolo.
Na minha opinião, esta é a melhor maneira para definir a participação do estreante Lewis Hamilton da McLaren nesta temporada: ele passou de ‘bestial’ a ‘besta’, ao tentar definir o GP do Brasil, e o Campeonato na segunda curva.
Este foi apenas um lance da imprevisível, inusitada e sem comparações temporada 2007 da mais importante categoria do automobilismo mundial, a Fórmula 1.
E o melhor de tudo isso: a decisão aconteceu no Brasil, dentro do mítico circuito de Interlagos com as arquibancadas lotadas.
Em uma prova que já parecia definida, onde Massa, após fazer a pole, venceria e Hamilton seria campeão, o Garoto Prodígio da McLaren fez questão de errar, e jogou o título no colo do gelado finlandês, Kimi Raikkonen, o azarão da corrida.
Mas a temporada foi marcada por lances dentro e fora das pistas, os quais foram fundamentais neste desfecho. Entre estes lances, podemos destacar a falta de um comandante de pulso na Ferrari, que cometeu erros incríveis para uma equipe de porte e prejudicou Felipe Massa. Mandou o piloto para a pista sem abastecer, fez programação errada na caixa de mudanças antes da largada, deixou ele sair do box com farol vermelho, entre outras coisas.
Fora do asfalto, o caso de espionagem que envolveu Ferrari e McLaren, causou muito estrago no time inglês, e desgaste entre Alonso e Ron Dennis, que culminou com a perca do título de pilotos, pois o de construtores foi tomado como punição.
A McLaren foi patriota demais, ou seja, inglesa, ao tentar favorecer Hamilton e esqueceu que o espanhol Fernando Alonso é bicampeão. A briga interna deixou o estreante confiante demais, e a falta de experiência levou Lewis a perder a concentração nas duas últimas provas do Mundial (China e Brasil). O erro do inglês em Interlagos foi grotesco, tentou definir a prova na segunda curva, quando estava em quarto, e levou a pior ao tentar ultrapassar Alonso. Ainda como se não bastasse, na sétima volta, errou ao trocar as marchas e deixou o câmbio entrar em ponto morto, e caiu para a última posição.
Enquanto isso, Massa liderava de maneira magistral, e Kimi mantinha a segunda posição, com Alonso em terceiro. Mas ficou nítido que o carro número 1 não era o mesmo das outras etapas, ele sofria para tentar a recuperação, a qual não veio.

Para Massa restou fazer sua parte e ajudar o finlandês a conquistar o titulo, e assim, o time vermelho, na segunda parada, colocou Felipe na segunda posição e Raikkonen foi para o primeiro lugar receber o primeiro titulo da carreira.
Outros destaques marcaram a etapa brasileira da Fórmula 1. A briga entre Nico Rosberg (ALE/Williams) e Robert Kubica (BMW/Sauber), pela 4ª e 5ª posição deixou o público, e a equipe McLaren, roendo as unhas. Caso os dois se enroscassem, Hamilton que terminou em sétimo, ainda teria condições de brigar pelo título.
Como a “esperança é a última que morre”, Ron Dennis, chefão do time inglês, ainda acredita em uma reviravolta, usando o mesmo tapetão que tirou todos os pontos de seu time envolvido no caso de espionagem.
Após a prova, demorou 6 horas para confirmação do campeonato em favor de Raikkonen. Isso porque os comissários técnicos descobriram que tanto Williams como BMW usaram combustíveis abaixo da temperatura permitida pelo regulamento. A desclassificação destes carros significava que Lewis seria o 4º colocado e campeão. A FIA não desclassificou Rosberg, Kubica e Heidfeld e a McLaren já disse que vai recorrer.
Mas em casos semelhantes, a Federação Internacional decidiu por tirar os pontos da equipe e não punir os pilotos, ou seja, será difícil a McLaren ganhar este recurso.

Depois de uma temporada disputadíssima, dentro e fora das pistas, sobram algumas perguntas para o ano que vem: Alonso ficará na McLaren? Lewis Hamilton aprendeu que precisa usar a cabeça, e não só os pés? Felipe Massa terá igualdade de condições, pois agora Raikkonen é Campeão Mundial? Rubens Barrichello ajudará a Honda a voltar ao pelotão de elite? Nelsinho Piquet deixará os testes para ser titular?
Como já deu para perceber, muita gasolina vai queimar para estas questões serem resolvidas. De qualquer maneira, fica a torcida para que no próximo ano, a disputa seja melhor, ou tão boa como esta, mas sem a interferência do tapetão.
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