quarta-feira, 15 de julho de 2009

Efeitos da crise vão ficando para trás

Aos poucos as economia global se recupera, e diferente do que aconteceu em outros tempos, o Brasil mostra que enfrenta tudo com muita maturidade. Este é o tema de artigo escrito pelo CEO da BDO Trevisan, o qual publico na integra.

Por Eduardo Pocetti*

Mais uma série de dados econômicos divulgada recentemente nos dá conta de que a economia real segue se distanciando dos efeitos negativos provocados pela crise financeira internacional. Entre as informações relevantes, ficamos sabendo que a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças) apurou que as taxas de juros e os prazos de financiamento nas operações de crédito oferecidas atualmente pelos agentes financeiros voltaram a patamares equivalentes aos de setembro de 2008, quando o banco de investimentos norte-americano Lehmann Brothers quebrou, o que serviu de estopim para a turbulência que ainda estremece a economia global.

Esta é uma grande notícia para empresas e pessoas que necessitam de crédito para investir, comprar ou simplesmente equilibrar suas contas. Por exemplo, os juros médios do cheque especial atingiram em junho 7,54% ao mês, o mais baixo patamar da série histórica iniciada em 1995 pela Anefac. As empresas também passaram a pagar menos pelos juros cobrados nos financiamentos em junho: 4,12% ao mês, na média.

Notamos que a oferta de crédito ainda não se equiparou à de antes da crise, mas a demanda por financiamentos, especialmente pelas empresas, cresceu em junho pelo quarto mês seguido, construindo uma louvável trajetória de recuperação, segundo avalia a Serasa Experian.

É importante lembrar que um dos principais motores do crescimento significativo da economia brasileira registrado até o terceiro trimestre de 2008 foi justamente o aumento na oferta de crédito no país. Por isso, o acesso a recursos financeiros, de preferência a baixo custo, é sem dúvida um elemento essencial para o estímulo à retomada dos investimentos produtivos em nossa economia, e deve continuar sendo fomentado.

Outro dado relevante, que acaba envolvendo a melhora do cenário na oferta de crédito, foi o aumento nas vendas do varejo registrado em maio após dois meses seguidos de queda, de acordo com pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O avanço de 0,8% nos negócios entre abril e maio passado traz um indicador bastante positivo, já que a alta envolveu sete dos oito segmentos de varejo pesquisados. Paralelamente, houve queda recente na inadimplência e aumento na confiança demonstrada pelo do consumidor.

O cenário externo também tem gerado boas notícias. Nos Estados Unidos, o banco Goldman Sachs, um dos mais afetados pela crise financeira, anunciou que seu balanço do segundo trimestre indica um lucro de US$ 3,4 bilhões no período. O resultado reflete o sucesso das ações de resgate de instituições financeiras promovidas pelo governo norte-americano, além da melhoria na gestão do banco.

É claro que a situação não está definida, podendo haver reversões a qualquer instante. Por esta razão, é imprescindível que as empresas não afrouxem seus sistemas de controle. O exemplo do Goldman Sachs deve ser seguido com atenção, pois errar na administração neste momento pode ser fatal para as corporações.

Manter um rígido sistema de governança corporativa, focar atenção decisiva na atividade-fim do empreendimento, gerir o caixa com atenção redobrada, reduzir custos de forma inteligente e sempre promover boas negociações com fornecedores, provedores de crédito e clientes são atitudes essenciais para que a saúde financeira das empresas permaneça equilibrada nesta fase ainda sujeita a solavancos.

Já foi dito por muitos que a economia mundial não será a mesma após a atual crise. Esta é uma tendência positiva, pois os sistemas de controle e de governança estão sendo aprimorados, atingindo desde o âmbito do macrossistema financeiro global, até a esfera dos microempreendimentos. Isto significa que as relações financeiras e comerciais tendem a estar menos sujeitas a problemas e rupturas. A caminhada de volta ao crescimento pode ser longa, mas não deve haver grandes obstáculos no caminho que vem sendo reconstruído.
*Eduardo Pocetti é sócio-diretor e CEO da BDO Trevisan.

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