terça-feira, 13 de janeiro de 2009

F-1: Esqueceram das equipes satélites

Depois de um período de descanso, escolhi o dia em que a Ferrari apresentou o F60, carro que disputará a temporada 2009 da F-1, para voltar com a coluna propositadamente.
Isso porque queria analisar a configuração do carro feito para atender as exigências técnicas e aerodinâmicas impostas pela FIA.
Bem vamos começar pelo visual. Realmente, lembra muito os bólidos dos anos 70. A carenagem é limpa, sem penduricalhos aerodinâmicos. Tem uma entrada de ar lateral mais larga que a dos modelos da temporada passada. A asa dianteira tem um perfil levemente curvo na parte superior, e a traseira com os elementos laterais mais longos do que as lâminas verticais. Também destaque para a volta dos pneus lisos, ou seja, verdadeiros compostos de competição. Ainda a introdução do Kers, um sistema de recuperação de energia, opcional este ano, também fornecido por um único fabricante.
Mas as mudanças são ainda mais profundas: os motores devem durar três provas, para isso diminuíu o número de giros dos propulsores, de 19.000 rpm para 18.000 rpm.
O que na minha opinião mais afetará a Ferrari, os testes foram proibidos entre as corridas. Os de pré-temporada, tudo bem, após iniciar o campeonato, dia 29 de março na Austrália, as equipes treinarão apenas nas duas sessões livre de uma hora e meia, às sextas-feiras no fim de semana de GP. O time de Marenello tem um exercito de testadores, que em muitas ocasiões durante a temporada fez a equipe virar o jogo, agora isso não é mais possível.
O túnel de vento só pode ser usado com modelos em escala de no máximo 60% do original. As sedes das equipes terão de permanecer fechadas por seis semanas durante o ano. Nesse período, os cerca de 900 funcionários não poderão trabalhar. Bom, com tudo isso nem precisa falar que o desemprego ronda a maior categoria do automobilismo mundial.
Como o ser humano adapta-se a todas as circunstancias, podemos pensar que os times de testes trabalharão como freelancers na pré-temporada, e depois estarão livres para exercer outras atividades, o problema é, quais?
Mas um detalhe parece que passou despercebido: as equipes satélites!
A McLaren, por exemplo, comprou a Force Índia, e colocou todo seu staff técnico para trabalhar no carro da temporada 2009, inclusive usando motor e câmbio da Mercedes. Será que as informações obtidas nas provas não serão repassadas para a equipe mãe?
A Ferrari fornece motores para a Toro Rosso, o mesmo acontece com a Renault e Red Bull, aliás, STR e RBR são do mesmo dono e usam projeto de Adrian Newey. E a Toyota fornece propulsores para a Willams e desenvolvera o câmbio juntas. Em situação onde não é possível testar, qualquer informação é valiosa, e pode ter certeza que será usada.
O grande objetivo é diminuir custos, para que a maior categoria do automobilismo mundial não morra. Fala-se inclusive para o futuro em um único fornecedor de motores, quase igual o que aconteceu nos anos 60 e 70, onde a Ford Cosworth fornecia para a maioria dos times.
Nestes tempos românticos, a competitividade era maior. Nos dias de hoje com as maiores montadoras do mundo envolvidas na competição, não há espaço para tamanho romantismo.
Não podemos esquecer que os bólidos são laboratórios sobre rodas. Eles servem para desenvolver novos itens e equipamentos, os quais serão usados futuramente nos modelos de série. Se o desenvolvimento for estancado, visando apenas redução de custos, isso vai acabar. Será que não seria melhor limitar os gastos? Deixar o desenvolvimento livre, mas nenhuma equipe poderá gastar mais que US$ 150 milhões por ano, por exemplo. Com esta limitação, os engenheiros e técnicos usariam ao máximo a criatividade para encontrar soluções ao menor custo possível. Ou será que os homens da FIA, não querem mais as fabricantes de veículos na competição?
O futuro dirá!
Rapidinhas
60 anos de história

O novo monoposto da Ferrari é o 55º projetado pela equipe italiana desde sua estréia na F-1, em 1950. Ele foi batizado de F60 em homenagem ao 60º ano da escuderia na maior categoria do automobilismo mundial.
Grande só no visual
Ao olhar para o novo Ferrari, a impressão é de que o carro cresceu, mas segundo Felipe Massa, é só impressão. “Eu estou surpreso, esperava um carro muito maior, como era há dez anos. Mas o carro é muito, muito pequeno, compacto, especialmente a traseira. O visual está bem legal, parece muito bom. Espero que seja tão rápido quanto parece”, declarou o brasileiro ao site Autosport
Novidades, mas sem gastos
O F60 da Ferrari foi apresentado pela Internet, sem aquelas mega festas costumeiras. Nesta semana, outras duas equipes também mostrarão os modelos que usarão a partir do GP da Austrália. A Toyota mostra o TF109, também via web. E a McLaren lançará seu MP4-24 em sua fábrica de Woking, com a presença do atual campeão mundial, Lewis Hamilton. Não poderia ser diferente, pois eles são campeões não é mesmo? Na semana que vem, estão previstas as apresentações de Renault e Williams (dia 19) e BMW Sauber (dia 20). A Red Bull mostrará seu novo carro dia 9 de fevereiro.
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